ESCURIDÃO
Diante e adiante, apenas luzes.
Difusas, coloridas, confusas.
Também vejo pessoas, mas elas não brilham.
Tristes, sem cores, sem rumo a vagar pelas ruas.
Caminham feito robôs:
o passo automático, para onde falta vida.
Sem vontade própria ou contra sua própria vontade,
dirigem-se para o lugar que por outros fora determinado.
Será que são essas pessoas
que se transformam em luz e depois se apagam?
Quem sabe um dia brilharam
e, de repente, foram apagadas por alguém.
Ou, simplesmente, desistiram de ser estrela
e preferiram não brilhar.
imagem: Vale do Anhangabaú - SP; foto e poesia de @raphaelgybak