LAMA
Rompeu a represa
do desamor e da maldade humana,
Almas sem vida submergem na ganância,
Corpos agonizam soterrados pela lama.
Dinheiro, foi por dinheiro.
Animais morrendo em desespero.
Choro, gritos de horror!
A vida perde espaço pelos campos
Enquanto a lama toma conta do terreno.
Dinheiro, um mar de dinheiro
Que arrasta até mesmo
O amor, a dignidade, a honra,
Que se transforma em mar de lama
E espalha um mar de medo.
E lá vem a onda de comoção,
A tristeza vai brotando em cada canto:
Autoridade, político, cidadão.
Todo mundo quer mostrar seu pranto
E lavar o sofrimento com suas lágrimas,
sejam elas sinceras ou não.
Mariana, Brumadinho, onde mais?
João, José, Maria, quem se vai?
No império da ganância jaz a vida,
E a natureza é coisa que Vale menos
Que a chance de ganhar muito dinheiro!
poesia de @raphaelgybak)