volume máximo,
consciência mínima
por Raphael Gybak
Silêncio. Deu erro.
Parece que o mundo travou.
Ninguém posta há dez minutos,
a mente começa a carregar sozinha.
Vinte abas abertas,
três timelines simultâneas,
playlist pra lavar a louça,
podcast para caminhar,
meditação com trilha e narrador.
Contemplar?
Só se tiver filtro e legenda.
Parar é pecado.
Descansar é crime doloso.
Pensar virou luxo.
Sentir? distração.
E se não for postável,
não valeu.
Ninguém ouve a própria voz,
abafada pelos sets motivacionais
e pelas metas trimestrais.
no fim, sobra o eco
de um ser humano em modo avião.
volume máximo.
consciência mínima.
e a mente?
em buffering eterno.